Será mesmo que “deixar isso pra lá!” é uma boa conduta, um ato
inteligente? Evitar uma confusão que se desenha ou calar diante de uma
injustiça faz bem ao corpo e à alma? “Deixar pra lá” é um modo de não se
importar, não levar a sério agressões a que estamos sempre sujeitos.
Em princípio, parece-me uma boa saída para evitar o
desgaste. Deixar de lado picuinhas e melindres histriônicos de outras pessoas
pode poupar tempo, dinheiro e saúde. Mas só é válida quando, intimamente, aquele
ataque – de fato – nada representou para você (virou até motivo de riso).
Entretanto, se a agressão despertou raiva, ira, medo ou
indignação, fica a sugestão: “deixar isso pra lá”, engolir e não digerir vai
lhe trazer alguns (ou muitos problemas). Pode ser a raiz de um problema de
saúde (físico ou mental) ou um desconforto que vai sendo alimentado “lá dentro”,
gerando um planejamento de “dar o troco”, vingar-se.
Nem a vingança é tão terapêutica assim, nem a mágoa (que se
cristaliza em ressentimento) suplanta o preço pago pelo desgaste. Vingança vira
medo da vingança em sentido contrário, perpetuando o incômodo: o de levar o
troco do troco.
Resolver em pouco tempo, rapidamente, mas sem cabeça “quente”,
é uma boa alternativa. Se não houver como, conhecer-se mais e aprender um meio
de dissipar essa “energia” deletéria só trará bons frutos, mesmo que demore um
pouco.
E.C.

